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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

é ruim da cabeça, ou doente do pé !


    Imaginem só uma rockeirinha das antigas que apenas escuta Rainbow, Blackmore's Night, Black Sabbath,Jimi Hendrix e pouco mais, que sempre teve uma cabecinha fechada, pensava : "música é rock e ponto final , o resto é resto".
   Então imaginem essa mesma menina sentada em um Bar, desses que por aqui chamam de "buteco"em um desses convívios, que eu falei anteriormente, onde os brasileiros se doam um pouco, e recebem um pouco do outro, onde a partilha de tudo e nada são recebidas de igual modo. Pois bem, em uma dessas noites agradavelmente brasileiras, em um bar de um bairro qualquer, sem grande renome ( e que agora realmente não me lembro do nome) estava eu sentada com a Paula, uma amiga de infância,.
   Conversa para cá, conversa para lá e eu comecei a reparar em um movimento de pessoas entrando com instrumentos musicais no lugar e se "aconchegando" em um canto do bar... eram instrumentos diferentes do que eu gostava em uma música, não tinha a bela da guitarra elétrica, muito menos o potente baixo... no lugar um violão, uma espécie de  tamborzinhos, um pandeiro e pouco mais.
   O susto foi imediato, e por vários motivos.
   Inicialmente porque esqueci do que a minha mãe tinha me falado, do habito do brasileiro de ter "música ao vivo" nos barzinhos, isso ,de fato, não é uma prática comum em Portugal, mais especificamente em Leiria, as vezes existem especies de showzinhos, mas não como aqui, que é usado como embalo de noite, música de fundo, algo para relaxar enquanto se delicia com uma bela cerveja e um belo "tira gosto" ( aaah essa é outra coisa que não é comum, aqui usamos como tira gosto carnes, mandiocas, e delicias do tipo. Já em Portugal no máximo um tremoço e mesmo assim em raros casos!). Mas voltando ao raciocínio, meu primeiro susto foi perceber que teria um som ambiente ao vivo, o segundo foi que esse som ambiente não era o meu ROCK AND ROOLLL!!!
   Como já falei, nada o que saísse muito desse estilo entrava na minha playlist, nos últimos tempos... Fiquei como se diria com "um pé atras". E não é que me surpreendeu... Começou a tocar umas músicas que não me eram de todo estranhas, uma coisa com um som meio brasileiro, com uma melancolia tipica da musica Portuguesa ( muitas vezes noto essa lágrima vinda de além mar em muita coisa no Brasil para além da música), algo que lembrava os sons nas festas dos escravos (lembro me de estudar isso algures na Historia no meu ensino Básico). Resumindo uma sonoridade calma, com lances que faziam lágrimas virem aos olhos e que em outros momentos faziam ter vontade de mexer, dançar e cantar pela felicidade. A isso a Paulinha me explicou que era o danado do Samba, e com isso me fez voltar à minha infância quando nos sábados de manhã minha mãe punha o seu arsenal de Chico Buarque, Toquinho, Paulinho Pedra Azul e outros monstros da música Brasileira.
   Saí desse barzinho querendo saber mais, dançar mais e com uma certeza que não é só os grandes solos do Jimi Hendrix que fazem meu coração vibrar, a calmaria das cordas do violão em um bom sambinha também, faz me sentir feliz... no fundo brasileiro é isso ter o molejo , o dengo certo pra se ser feliz.

Anotação n º 2 para se ser um bom brasileiro: ir para o buteco treinar a essa coisa de se entregar e de receber, comer tira-gosto ao som de uma musiquinha, e saber que quem não gosta de samba bom sujeito não é... é ruim da cabeça ou doente do pé!


Samba da minha terra- Dorival Caymmi (1965)